Desafios em obras portuárias e marítimas

“ESTAMOS CONECTADOS AO BOOM DO MERCADO DE OBRAS MARÍTIMAS E PORTUÁRIAS”

RICARDO ISMAIL MÜLLER,

DIRETOR DA UNIDADE DE NEGÓCIOS RIO DE JANEIRO/BRASIL da SEEL ENGENHARIA,

Uma associação entre recursos federais, estaduais e privados integram o Plano de Investimentos proposto pelo Ministério de Portos e Aeroportos e pela Autoridade Portuária de Santos (APS) estará proporcionando ao Porto de Santos investimentos em obras no montante de R$ 21,28 bilhões entre 2024 e 2028 conforme anunciado neste mês de março. A notícia foi publicada no site da Associação Brasileira das Entidades Portuárias e Hidroviárias (Fonte: https://abeph.com.br/porto-de-santos-tera-investimentos-de-r-21-bilhoes-anuncia-ministro-de-portos-e-aeroportos/). Este é somente um dos muitos projetos em andamento no Brasil em toda a sua extensão de mais de oito mil km de litoral que comprovam: há um boom no mercado de obras marítimas e portuárias no Brasil.

A SEEL Engenharia, por meio de negociações recentes, está de olho neste mercado em franca expansão. Ricardo Müller, nosso Diretor da Unidade de Negócios Rio de Janeiro/Brasil, revela que temos como um dos nossos focos, o mercado de obras marítimas.

Há menos de três anos, a SEEL cumpriu um grande desafio no Terminal Aquaviário da Baia de Guanabara (TABG) – Ilha Redonda (RJ) ao executar a cravação de estacas pré-moldadas de até 34 metros de comprimento, com perfuração, instalação e ancoragem de tirantes em 10 metros de rocha sã, além de construção e instalação de dolphins e passarelas.

Esta era a primeira obra dentro da SEEL Engenharia deste engenheiro civil formado pela UFF. Carioca da gema, Ricardo, que já trazia bagagem de obra portuária em sua trajetória, nos revela nesta entrevista os novos rumos deste mercado marítimo e portuário e assegura: estamos muito bem conectados a ele.

Como já publicava em meados do ano passo, de acordo com o site da revista Portos e Navios, o mercado marítimo tinha uma previsão de crescimento em média de 2,1% entre os anos de 2023 e 2027. Fonte: https://www.portosenavios.com.br/noticias/navegacao-e-marinha/mercado-maritimo-deve-crescer-media-de-2-1-entre-2023-e-2027

Quais são as demandas atuais de obras marítimas e portuárias no mercado?

Ricardo – Hoje estamos vendo um aquecimento muito acelerado e diversificado neste mercado fruto da retomada do ritmo das exportações. Desse modo, teremos inúmeras obras tanto na parte da implantação de novos dolphins, cais de atracação e amarração, quanto na parte de ampliação de terminais marítimos, sejam eles públicos ou privados. Observamos também muitas obras de recuperação estrutural de piers construídos há muito tempo. Em vigor, por exemplo, estamos executando um contrato para recuperação estrutural dos terminais do TABG. Muitos dos nossos principais portos são antigos, carecem de melhorias para atracação das embarcações atuais.

Trata-se de um mercado com obras tanto para implementação quanto para reformas, na mesma proporção?

Ricardo – Exatamente. Eu defino assim: há demandas para se construir algo novo; mas também para a modernização e atualização às novas tecnologias; algumas melhorias no processo de atracação. No Porto de Santos (SP), o maior do Brasil, a SEEL Engenharia tem estudado propostas com essas demandas. Aqui no Porto do Rio de Janeiro teremos um investimento grande; também no Porto de Itaqui (Maranhão). Haverá por todo o nosso litoral muito trabalho para as empresas que oferecem serviços de infraestrutura. Estaremos nós da SEEL com grandes possibilidades e potencial para trabalhar tanto na parte offshore quanto na retro área dos portos, onde poderemos ter muitos serviços de novos galpões, armazéns, linha férrea e estradas, ou seja, terminais intermodais.

“Para os nossos clientes evidenciamos a entrega com a máxima qualidade sempre tendo como meta a segurança e o respeito ao ecossistema.”

Ricardo Müller

Por que podemos dizer que a SEEL Engenharia está bem instrumentada para atender a essas demandas de obras marítimas e portuárias?

Ricardo – Somos uma empresa estruturada e focada no desenvolvimento estratégico. Temos profissionais com capacidade técnica excelente e, o mais importante, em constante atualização e evolução, não apenas nas ferramentas de engenharia e infraestrutura, mas com a visão de construir soluções inovadoras e com eficácia (qualidade com eficiência). Para os nossos clientes evidenciamos a entrega com a máxima qualidade sempre tendo como meta a segurança e o respeito ao ecossistema. Somos responsáveis e muito preocupados com as questões técnicas desde a nossa gênese.

De que forma a referência que criamos com a obra do Terminal Ilha Redonda entre 2021 e 2022 nos credencia a passos maiores do que aqueles que já demos?

Ricardo – A obra da Ilha Redonda foi executada com primor, sem nenhum acidente, com os melhores parceiros e fornecedores. Cumprimos o grande desafio de entregar a obra dentro do prazo, uma vez que o Terminal se encontrava em operação e não podíamos de forma alguma atrapalhá-la. Antes dessa já tínhamos feito uma obra marítima para a Marinha do Brasil e depois fizemos a recuperação estrutural de um Píer no Caju (centro do RJ) para a Prefeitura do Rio de Janeiro. Esta, bem mais recente, com demolição da estrutura antiga e construção de uma nova, muito mais robusta e confortável aos usuários. Hoje estamos realizando a recuperação estrutural de quatro terminais no Terminal Aquaviário da Baia de Guanabara (TABG).

Como o novo modelo de Unidade de Negócio, em especial a do Rio/Brasil aprimora o suporte às obras portuárias e marítimas?

Ricardo – O novo modelo nos permite mais foco tanto nas regiões quanto no mercado no qual estamos atuando, nesse caso, o Marítimo e Portuário. Como em nosso novo modelo de Unidade de Negócio somos responsáveis por todas as etapas do negócio, ou seja, atuamos desde a fase de comercialização, orçamentação até a entrega da obra ao cliente, oferecemos a este, a segurança de que o produto que ele terá em mãos primará pela excelência quanto ao atendimento dos requisitos que ele solicitou (ou dos quais ele realmente necessita).

Quais são os maiores desafios no escopo de obras marítimas e quais os nossos diferenciais para cumpri-los?

Ricardo – A obra portuária e marítima, por si só, traz muitos desafios em sua execução. A gente atua com variáveis como ventos fortes, correntes marítimas, logística complexa, entre outros. Entretanto, lidamos com isso aqui na SEEL nos aliando a parceiros estratégicos que contribuem para alcançarmos excelência na execução de obras. O grande desafio atual é que, com o aquecimento do mercado, provavelmente vai faltar equipamento, em algum momento. Estamos otimizando ações preventivas para evitar esse problema. Vale destacar que melhoramos o nosso Parque de Equipamentos. Temos um gestor de equipamentos com bastante experiência no mercado de infraestrutura. Hoje oferecemos ao cliente uma gestão tecnológica de nossos equipamentos; mais do que dispor dos mais modernos, temos tudo funcionando em alta confiabilidade.

Obras marítimas lidam com “ambientes hostis” (impactos fruto do aquecimento global, por exemplo). De que forma os investimentos da SEEL em tecnologia, busca de novos parceiros e, sobretudo, em INOVAÇÃO nos ajudam a lidar com adversidades?

Ricardo – Ao assumirmos uma obra marítima ou portuária é obrigatório conhecermos com profundidade a região onde iremos trabalhar e todas as possíveis imprevisibilidades que o clima e a geotecnia dessa região possam apresentar. Toda a equipe deve entender como se comportam o clima, ventos e correntes marítimas na região, fatores que neste tipo de obra são determinantes para orientar um planejamento prévio. A inovação nos ajuda na execução dos nossos serviços. Lógico que não é fácil inovar. Inovar envolve riscos; mas precisamos usar a inovação quando esses riscos puderem ser mensurados. Por isso, antes testamos as inovações em ensaios dentro da empresa, em ambientes virtuais de obra (hyperlink aqui para o BIM SEEL). Inovar ajuda-nos a melhorar processos daquela obra em andamento e a criar referências para obras posteriores.

Em busca de metodologias para construção dentro da obra é melhor fazer o básico ou inovar?

Ricardo – Certamente inovar é sempre a melhor solução. Com ela nos diferenciamos cada vez mais no nosso mercado e contribuímos para geração de valor junto aos nossos clientes. Ano passado, criamos uma célula de Inovação que está sendo vista com um cuidado muito especial para que possamos decolar. Certamente para as obras marítimas e portuárias os modelos de ações oriundos dessa célula trarão uma contribuição inequívoca nas soluções que usaremos em futuras obras.